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Esgueira tem 14 treinadores de mini

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Francisco MoraisO Clube do Povo de Esgueira é um clube que sempre respirou basquetebol e que tem neste momento liderado pelo Francisco Morais em funcionamento um excelente projecto de minibásquete. Quantos clubes em Portugal se podem gabar de ter

muitos treinadores de minibásquete que tem pelo menos o grau 1 do treinador. Dar a conhecer este projecto é um dos objectivos desta entrevista.


Antes de falarmos sobre o projecto do minibásquete do Esgueira gostaríamos que nos falasses um pouco de ti e da tua trajectória no basquetebol?
Inicialmente como praticante no Clube do Povo de Esgueira (CPE), fui um dos inúmeros jovens que teve o privilégio de ser orientado por treinadores de excelência e que encontrou bastantes dificuldades em conseguir atingir a equipa sénior do Clube, reporto-me a épocas de ouro do Clube e do Basquetebol Nacional. Não obstante, encontrei “espaço” num clube da cidade que me permitiu manter a prática da modalidade até aos 35 anos, altura para regressar ao “Verde Mágico”, para jogar no escalão de Masters.

Enquanto treinador, apesar de ter tido a experiência antes da minha formação académica, foi durante e após completar o ciclo de estudos da licenciatura em Educação Física e Desporto na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), que me comecei a dedicar verdadeiramente. Numa fase inicial, condicionado pela minha ocupação profissional, desenvolvi a minha atividade de treinador pelos locais onde lecionei e, numa fase posterior e de alguma estabilidade profissional, como treinador e coordenador do Minibasquete do CPE.

Atualmente, acumulo também o cargo de selecionador de Sub-12 masculinos da Associação de Basquetebol de Aveiro (ABA).

Passemos então ao projecto do Esgueira. Quantos são e como são escolhidos os treinadores para trabalhar no minibásquete do Esgueira.
O organograma do Minibasquete do CPE conta com 18 vagas de treinador, desde o escalão de Sub-6 até Sub-13, preenchidas por 14 treinadores, uma vez que alguns repetem mais do que um escalão. Temos também treinadores que acumulam escalões de faixas etárias mais elevadas com o de Minibasquete.

Clube do Povo de Esgueira

Neste momento, vive-se uma aposta na base, consequentemente ênfase no Minibasquete e na Formação de Treinadores, para que tenhamos treinadores cada vez mais qualificados, com experiência e aptos a trabalhar na faixa etária da iniciação desportiva. Numa altura em que o CPE procura formar “os seus” treinadores, identificamos pessoas que se enquadram no nosso PERFIL DE TREINADOR MINIBASQUETE, promovemos a sua formação e acompanhamos (estágio) com responsabilidade, percebendo a importância deste processo no desenvolvimento do Clube e da modalidade.

O treinador responsável pela iniciação desportiva deve preocupar-se menos com o resultado imediato ou com os seus interesses pessoais mas, prioritariamente, com o cumprimento dos objetivos apontados para o desporto infantil e juvenil, apresentando-se como agente promotor de valores e atitudes, fomentando o espírito desportivo.

A título de curiosidade, no quadro atual de treinadores do nosso Minibasquete, apenas uma treinadora não foi atleta do clube. Todos os treinadores têm pelo menos o Grau I, atribuído pela Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) ou estão e ultimar essa formação (3 estagiários) e cinco têm Grau II.

Para melhor compreendermos o vosso projecto quantos Minis é que o Esgueira movimenta, quantas equipas tem e como é actualmente a sua distribuição pelos diversos escalões do Mini?
O CPE movimenta cerca de 160/ 170 atletas Mini, divididos em 12 equipas, desde sub-6 a Sub-13. Para estes números concorrem cerca de 20 atletas Sub-6 (ainda que não possam ser inscritos oficialmente); 40 atletas Sub-8 (divididos em 2 equipas masculinas e 1 feminina), 52 atletas Sub-10 (2 equipas masculinas, 1 feminina e 1 mista), 32 atletas Sub-12 (1 equipa masculina e 1 feminina) e 18 Sub-13 (1 equipa masculina e 1 feminina).

No escalão de Sub-6, promove-se a preparação geral e multilateral, o desenvolvimento das capadades motoras com recurso a atividades lúdicas, de coordenação, interação entre pares e Encarregados de Educação, recorrendo a encontros organizados pelos clubes que reconhecem o escalão. Nos escalões de Sub-8, Sub-10 e Su-12, mantendo as premissas acima mencionadas e aumentando gradualmente o ensino das técnicas de base da modalidade e os primeiros conteúdos táticos, as diferentes equipas participam nas Concentrações da ABA, com periocidade quinzenal. As equipas de Sub-13, participam no Campeonato ABA, com periodicidade semanal.

Que condições de treino têm as vossas equipas e quantas vezes por semana treinam os vossos minis, dos Minis-8 aos Minis-12?
Os recursos materiais, tanto ao nível das instalações como do equipamento, são uma das condicionantes importantes a ter em conta neste intervalo etário. Dispomos de 2 pavilhões (do CPE e do Agrupamento de Escolas de Esgueira), 12 tabelas Minibasquete e muito material diversificado e adaptado, nomeadamente no que se refere às suas dimensões, de forma a facilitar a aprendizagem e o aperfeiçoamento dos praticantes.

Relativamente ao número de treinos semanais, o escalão de Sub-6 treina duas vezes por semana (2 x 60 minutos), sub-8 e Sub-10 treinam três vezes por semana (3 x 60 minutos), já os escalões de Sub-12 e Sub-13, mantendo as três vezes por semana (3 x 75 minutos), treinam separados por géneros.

Nos escalões de Sub-8 e Sub-10, dado o elevado número de atletas, facilmente nos tornaríamos num “ATL” com campo de Basquetebol. Contrariando esta ideia, nestes escalões, mantemos a estrutura da sessão de treino, respeitando a fase inicial (preparatória), principal (fundamental) e final (retorno à calma), mas na segunda fase, trabalhamos por estações.

Clube do Povo de Esgueira

Em todas as sessões de treino, apresentamos uma estação de jogo ou jogo condicionado, uma estação com um conteúdo tático a trabalhar, uma para trabalhar o drible, outra o passe e por último, o lançamento. Cada estação é orientada por um treinador, mantendo o rácio de 8/9 atletas por treinador.

Clube do Povo de EsgueiraUtilização desta estrutura de treino permite a utilização de grupos homogéneos/ heterogéneos de acordo com a situação de aprendizagem, a participação harmoniosa de todos (os que jogam à muito tempo e os que estão a iniciar a prática), facilita a expressão das tendências competitivas, promove a participação de uma quantidade elevada de praticantes no treino (sem que se perca qualidade no processo), permite que todos os atletas “passem” por vários treinadores (recebendo a mesma informação - feedback) e responde às limitações das instalações desportivas e espaços de treino.

Por outro lado, requer um elevado número de treinadores, uma elevada quantidade de material desportivo, uma comunicação eficiente entre os treinadores, que se minimize perdas de tempo entre rotações, exige criatividade e novidade nos exercícios selecionados e necessita de adaptabilidade dos exercícios propostos às habilidades/ destrezas dos atletas.

Há quanto tempo é que este projecto existe e quanto tempo pensas que será necessário até que os resultados do vosso trabalho comecem a ter reais reflexos nos escalões de Sub-14 e Sub-16?
Seria amplamente simplista e redutora, uma visão encantada e “embriagada”, a de associar o momento de retoma desportiva e a “procura seletiva” que o Clube vive, apenas ao trabalho desta Coordenação Minibasquete e desta equipa de treinadores. Muito fizeram pelo atual cenário, os anteriores Coordenadores e treinadores, sustentados numa Direção que os apoiou.

Recentemente o CPE passou por um processo de restruturação, foi necessário refletir sobre o cumprimento dos desígnios do Clube (competição/ resposta social), credibilizar os agentes envolvidos, aumentar a base de recrutamento (número de praticantes), promover um maior envolvimento das pessoas e por último, a resposta desportiva. Pretende-se que sejamos competitivos em todos os escalões, participando nos momentos de decisão das respetivas competições e que a resposta competitiva, seja consequência do aumento de qualidade do trabalho desenvolvido com os jovens atletas.

Procuramos que na última etapa do Minibasquete, os nossos atletas se apresentem tecnicamente evoluídos, taticamente capazes, com elevada intensidade de jogo (defensivamente e ofensivamente) e socialmente competentes, premissas essenciais para o alto rendimento.

No ano transato, o Clube ganhou a Taça Nacional de Sub-14 Masculinos e já este ano sagrou-se campeão Distrital de Sub-14 femininos. Procuramos trabalhar a noção de “gerações consistentes”, acreditando que nos próximos anos, sejamos capazes de voltar a ser um clube assíduo nos momentos de decisão (fases finais) em todos os escalões. Estando lá, a vitória passará a ser o objetivo, porque a formação não tem que ser necessariamente diferente da competição. A formação do CPE deverá ser competitiva.

Como é financiado e apoiado administrativamente o vosso projecto?
O grande financiador do nosso Minibasquete são os Encarregados de Educação dos atletas. Acreditando no trabalho que está a ser feito, confiam-nos a formação desportiva e social dos seus filhos, envolvendo-se ativamente nas atividades e dinâmicas do clube e ao fim de semana, assumem o papel de “taxistas”, levando-os às competições em que o clube está envolvido. Obviamente que as mensalidades são o garante do funcionamento das atividades, num ano em que até perdemos o patrocinador do Minibasquete.

Por incrível que pareça, desde o início da época desportiva, 160/ 170 crianças vestidas de verde com o patrocínio ao peito, espalhadas pelos pavilhões do distrito semanalmente e com forte dinâmica, não tem sido suficientemente aliciante e sedutor, para conseguimos um novo patrocinador.

Sentimos de perto o apoio incondicional de uma Direção que acredita que a formação e o Minibasquete, são o investimento certo, para voltarmos a ter um Esgueira forte e dominador.

Será que contam para este projecto com apoios da Federação, Associação, Junta de Freguesia ou Câmara Municipal?
Relativamente às entidades que regulam o Basquetebol (Federação e Associação), temos sido alvo da atribuição de várias distinções, entre as quais a revalidação do Certificado de Qualidade de Escola Portuguesa de Minibásquete, reconhecido pela FPB e o Clube com mais atletas e Clube com mais atletas de Minibásquete inscritos na ABA, época 2016/2017. No entanto, sentimos que merecíamos bem mais apoio e discriminação positiva, por apresentarmos um número tão significativo de jovens atletas nos nossos quadros.

Do ponto de vista do poder local, um projeto desportivo que ao logo dos anos tem sido um recurso desportivo dinâmico, sensibilizando e captando jovens para a prática do desporto e do basquetebol em particular, ajudando a cumprir o papel social que os fundadores do CPE preconizaram, garantindo uma resposta desportiva de qualidade à Freguesia de Esgueira e à Cidade de Aveiro, merecia muito mais. Somos uma “foto bonita” à qual o poder local se gosta de associar mas é urgente que contribua de forma proporcional. Perdoem-me o desabafo!

Terminamos como habitualmente que pergunta gostaria que vos fizessem e que resposta dariam?
Gostaria apenas de terminar com a pergunta que mais gosto de ouvir dirigida aos jovens pelos seus Encarregados de Educação (nem sempre com a frequência desejada), no final das concentrações de Minibasquete: - DIVERTISTE-TE?

A natureza ordenou que os jovens sejam jovens antes de serem adultos. Se pretendemos alterar esta ordem, produziremos só frutos verdes sem sumo
Jean Jacques Rousseau

Comentários 

 
+2 #1 Humberto Gomes 10-05-2018 06:52
Se estamos todos no mesmo "barco"..., haverá que ter compreensão : a base das relações inter-pessoais, assim a modos como compreender e ser compreendido ! É um desafio que nos é lançado, perante alguma da "trapalhada" que vamos observando e que tem conduzido a uma evidente incapacidade na eficácia do desenvolvimento da prática do Jogo. Dito assim, sem medo das palavras ! Primeiro que tudo felicitar o companheiro San Payo pelo sentido de oportunidade e pela condução da entrevista. Depois um obrigado ao companheiro, Francisco Morais, o "homem forte" do Minibasquete no Esgueira. Pelo que nos dá a conhecer de como é possível trabalhar bem, em prol do elemento fundamental do Jogo : O atleta. Em função da sua realidade, poderá vir a não desmerecer, comparativament e ao que pudemos observar na recente final Mini-12,, Fem.,entre a Catalunha e a Andalucia - de que sou, confesso, fervoroso adepto -, em que se apurou - imagine-se ! - o campeão de España : a Andalucia. É real e é objetivo !
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