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Dificuldade - espaços de treino

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Telmo BotelhoNem toda a gente ligada ao basquetebol conhece o passado glorioso do Carnide Clube. Este clube, que em 2020 irá celebrar 100 anos de existência, faz por um motivo alargado de razões parte integrante da história do basquetebol

tendo conquistado 7 títulos de campeão nacional. Mais títulos que o Carnide apenas o Benfica, o Porto e o Sporting. Depois de uma fase mais apagada, este clube que no seu ADN respira basquetebol renasceu e tem de novo, desta vez nos femininos, uma equipa no escalão principal do basquetebol nacional. Contudo esta não é a única razão pela qual quisemos entrevistar um dos grandes obreiros deste renascimento do clube o Telmo Botelho.


Telmo antes de falarmos do Carnide queremos que fales um pouco de ti como surgiu a tua ligação à modalidade e ao Carnide Clube?
É uma ligação improvável. Estudava em 2004 num curso inédito de desporto criado na Escola onde que frequentava na Pontinha. Nessa altura a directora de curso “obrigou” todos os alunos a fazerem uma actividade extra curricular (desporto escolar), e como havia alguns federados na turma, eles convenceram todos os rapazes a formar uma equipa de basquetebol.

Como em 33 alunos, passaram meia duzia para o 11º ano, eu tinha gostado da aprendizagem e então inscreve-me no basquetebol de novo. Na altura só se inscreveram raparigas, mas como eu estudava desporto, o professor da equipa, Nuno Nunes, convidou-me para estar presente nos treinos e ajudar.

Esse ano correu tão bem a esse grupo de miúdas, que o Clube Atlético Cultural da Pontinha CAC convidou um grupo de pais e o Nuno levou-me com ele para ser treinador adjunto, quando tinha 16 anos.

Foram dois anos de trabalho no CAC, como treinador adjunto, e tentativa de abertura de escolinhas de minibásquete. O projecto extingiu-se e o Carnide Clube, (com quem o CAC tinha fantásticas relações), através do coordenador da altura o Gonçalo Marques, convidaram-me para criar o minibásquete no clube e abrir uma equipa de Sub-14 feminina. Desafio aceite... Isto em 2007/2008.

Há quantos anos estás ligado ao clube, como tem sido o seu crescimento e quais foram as maiores alegrias que tiveste durante este trajecto.
Esta é a minha 11ª temporada no Carnide Clube.  Na primeira reunião que tive em 2007 disse na inocência dos 18 anos, que queria trabalhar no Carnide Clube para colocá-lo na Liga Feminina e termos a maior escolinha de minibásquete em Portugal. Chamaram-me doido, sonhador. Disseram-me que era “impossível”.

Consigo enumerar algumas das maiores alegrias que tive até hoje no clube:

  • O título de Sub 14 Femininos, 1º no clube pela geração de 1998;
  • O título nacional de Sub 16 Femininos;
  • As subidas das séniores femininas;
  • A vitória no Orçamento Participativo da cidade de Lisboa, que dará a Carnide um pavilhão novo.

Não são muitos os treinadores que vivem apenas do basquetebol. Os que fazem da modalidade a sua profissão são por norma treinadores de equipas seniores. Facto que tanto quanto sei deve ser único em todo o país é a aposta do Carnide em ter um coordenador da modalidade muito vocacionado para a formação que apenas vive dessas funções. Quais são os teus sonhos e que riscos implicam esta aposta?
Em primeiro lugar é um risco pessoal. Conseguimos criar meios para que o clube possa ter 1 técnico a tempo inteiro, e 2 a tempo parcial. No entanto tudo isto é precário e não deixa de haver uma grande dose de amor e carolice colocada no que fazemos.

Guio os meus sonhos quase com “check lists”, e ainda tenho uns quantos sonhos para cumprir no Carnide:

  • Criar condições para que o clube possa ser campeão nacional da Liga Feminina dentro de poucas temporadas;
  • Participar activamente em comunidades escolares suficientes para o clube ter sobre sua alçada cerca de 1500 jovens entre os 4 e os 12 anos, através de projectos em Jardins de Infância, AEC’s, projectos de ocupação de tempos livres, etc;
  • Potenciar condições para que o clube possa, para além de um pavilhão, ter valências extremamente úteis ao desenvolvimento do projecto: ginásio, sala de estudos, bar, etc.

Acerca dos riscos... Como escrevi anteriormente, é uma aposta pessoal. Tenho a minha vida colocada nisto, mas felizmente, e o que me dá segurança, é que a direcção do clube, através da presidente Tânia Estronca, me dão total liberdade e crédito para fazer crescer este projecto ainda mais.

O actual dinamismo do Carnide é uma realidade não sem dificuldades certamente. Em toda esta trajectória quais são as maiores dificuldades do projecto do Carnide?
Podemos falar de dinheiro sempre... Porém, considero que o dinheiro apenas tem “atrasado” alguns dos planos que temos. O projecto tem de ser gerido desportivamente, mas sem descurar a capacidade de gerar receita de múltiplas formas e nisso temos tido a capacidade de ir crescendo à nossa medida.

Actualmente a grande dificuldade que temos diz respeito aos espaços de treino. A freguesia de Carnide carece urgentemente de um novo pavilhão e mesmo esse não chega, para as necessidades que a nossa secção tem.

Este percurso certamente que já te trouxe alguns dissabores e tristezas, mas peço que te foques nas alegrias e enumeres alguns desses momentos que viveste no clube.
Quando a buzina tocou em Ermesinde na final de Seniores Femininos da 1ª Divisão, e de repente percebemos que o Carnide Clube está na Liga Feminina pela 1ª vez na história, é uma sensação que não tem explicação. São 10 anos da vida “dados” a uma causa... é aquela sensação de “valeu a pena”, que infelizmente nem todos podemos ter a sorte de dizer quando estamos num projecto.

Como grande adepto do Carnide sei o problema que o clube está a passar por causa da sua sede. Queres nos dizer qual é o ponto da situação?
Não tenho conhecimento de todas as particularidades do processo. Sei que com a atribuição do estatuto de Entidade de Interesse Social Cultural e Desportivo da cidade, o clube fica protegido. No entanto, terão de haver negociações com os proprietários para que se possa perceber o futuro da sede do clube.

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Fábio Martins de Sousa - Presidente de Junta de Freguesia de Carnide, Tânia Estronca - Presidente do Carnide Clube e Telmo Botelho - Coordenador

A tua frontalidade e o teu sentido crítico são conhecidos no universo do basquetebol. Qual é a tua visão sobre o momento que a modalidade está a passar quer a nível regional, quer a nível nacional?
Ser frontal e emitir opinião em Portugal é sempre visto com maus olhos. Criou-se um “estigma” anti redes sociais, onde se alguém escreve lá o que acha, “fala demais”, entre outras coisas mais feias. Nunca me escondi atrás de “nicknames” nem perfis falsos, quando solicitado ou assim o entendi participei sempre nos fóruns de discussão do clube ou de outros agentes desportivos. Todos sabem quem sou. Não posso dizer o que penso?

O basquetebol a meu ver está a “voltar à moda”. O fenómeno Steph Curry / Lebron James, voltou a colocar na rua as jerseys de basket, mesmo em miúdos que não estão ligados à modalidade. Isto tem-se traduzido num aumento simpático do número de praticantes.

No entanto, haver muitos não é necessariamente sinal de melhoria. Este problema, na minha opinião, está inserido numa sociedade de valores invertidos, com a falta de compromisso com uma modalidade. Como queremos ser bons, se quando dizemos, que os míudos vão treinar 4 vezes por semana metade desiste, muda de clube, ou torce o nariz?

Os míudos têm um horário escolar incrivelmente denso, e nas poucas horas livres por dia, os pais querem poder gozá-las na companhia dos filhos. Onde sobra tempo para o basket?

A comunicação melhorou muito! A FPB tem feito um trabalho íncrivel neste campo. Contudo a nível técnico, há algo que cada vez me magoa mais. Chegar a clinics, cursos, formações, etc e ouvir das mais alguns treinadores com elevadas responsabilidades que “a culpa disto estar como está é dos treinadores”. Eu pergunto: De quais? Dos que ganham 50 euros para treinar uma equipa? Dos que tiram o grau 1 e 2 e não têm qualquer tipo de acompanhamento no clube, nem da escola nacional, nem dos cursos? Ou dos que até fazem trabalhos dignos com fracas condições e nem um reconhecimento das entidades recebem, e vêm todos os anos os prémios, lembranças, oportunidades, cargos e homenagens serem feitas e dadas aos mesmos clubes e às mesmas pessoas? A culpa será desses treinadores?

Se a resposta for sim, então eu deixo um desafio. Se os treinadores são os culpados disto, peço aos “catedráticos” que o afirmam convictamente, que tirem por semana 2 dias da sua vida e “probono” ou por 50 euros venham aos clubes onde estão esses treinadores que “são os culpados disto”, ajudá-los no campo, no terreno, com os miudos... Porque sem dúvida, com melhor formação, seremos muito melhores! Eu preciso de ajuda. Todos precisamos!

Termino como habitualmente que pergunta gostarias que te fizessem e que resposta darias?
Qual a tua maior ambição pessoal no basquetebol?
Gostava de um dia participar num campeonato da europa. Até podia ser como se diz no futebol, como “roupeiro”. Acho que no dia em que ouvisse o hino, representando o país que amo, na modalidade que amo, seria a maior sensação da vida.

 

Comentários 

 
0 #2 Humberto Gomes 26-10-2018 14:01
Caro companheiro Telmo Botelho. Habituei-me no espaço próprio, como aqui no Planeta Basket, enquanto bom exemplo, a comentar e, até há um pouco tempo atrás (por ter metido umas férias sabáticas..., com a concordância do Ivan), a debitar alguns artigos de opinião, concretamente desde Janeiro de 2014. Arrisco a ter uma opinião, alicerçada nos quase 50 como treinador, face à postura e ao percurso que a entrevista (bem elaborada pelo San Payo, como é hábito) evidencia, dizendo, sem receio de errar, que estamos na presença de um jovem treinador que tem um ADN, daqueles de que a modalidade tanto precisa, e que, utilizando uma linguagem popular : A amostra é igual ao pano. Felicitar o Telmo Botelho, mantê-lo "debaixo de olho" para continuar, como agora, a aplaudi-lo, de pé !!! Não sem que antes, solicitando um time out, lhe envie um abraço costelar.
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+1 #1 Inês Silvério 23-10-2018 19:20
Continuação de bom trabalho caro colega e amigo!
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