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Entrevista com Zeca Macedo

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altOntem teve hipótese de conhecer, de forma muito breve, quem foi José “Zeca” Macedo.

Hoje poderá ficar a conhecê-lo ainda melhor ao ler as suas próprias palavras na entrevista exclusiva que concedeu ao Planeta Basket.



 
Porque escolheu praticar basquetebol?
Escolhi o Basquetebol, porque era um assistente assíduo aos treinos do meu irmão, pois ele praticava a modalidade ao nível sénior no F.C. Barreirense.
 
Porque é o Barreiro considerada a cidade do basquetebol?
Já nos tempos antigos o Basquetebol, era uma modalidade muito admirada pelas pessoas da minha terra, atendendo também por o Barreirense estar incluído normalmente entre os melhores da capital. O Desportivo da Cuf e o Luso Futebol Clube, também clubes da cidade, praticavam igualmente esta modalidade, o que proporcionava grandes jogos ao nível Regional e Nacional. Actualmente com o Barreirense e Galitos Futebol Clube, a competir nas primeiras ligas e as equipas de formação nas respectivas categorias nos nacionais, promovem a modalidade na Cidade do Barreiro.
 
Como vê a formação hoje em dia no Barreiro e em Portugal?
Penso que o significado propriamente dito da palavra “formação” está de certa forma a ser esquecido em benefício da palavra “competição”.
 
A formação tem que estar bem saliente no espírito dos nossos jovens, pois quando chegarem à competição, deverão saber representá-la com dignidade. Muito tem que se trabalhar com a palavra formação, saber ganhar, saber perder, respeitar colegas de equipa, respeitar os colegas adversários, treinadores, dirigentes, árbitros e público. Enfim, saber treinar com a dita formação!
 
Dar importância à continuidade dos estudos, pois são importantes para o futuro dos nossos jovens, sem eles não poderão alcançar os objectivos do seu futuro. Sem formação não poderemos fortalecer a nossa vida profissional.
 
Por tudo isto, Senhores Lideres, vamos meditar e trabalhar nas bases fundamentais e essenciais para o bem dos nossos jovens no Desporto! Esta é a chave mestre do sucesso na sua vida profissional! FORMAÇÃO! 
 
É considerado por todos aqueles que de si falam como uma pessoa extremamente simpática. Qual é o segredo?
Se sou simpático ou não, sinceramente não sei, a minha maneira de ser é esta, respeitar e ser respeitado, reconheço que o desporto teve grande influência na minha maneira de ser, por isso peço a todos os treinadores de jovens que não se esqueçam da palavra formação, no sentido de incutir estes valores no desporto. Os meus treinadores também nunca se esqueceram desta palavra, desde já, um agradecimento a estes grandes senhores.
 
Em que posição actuava (base, extremo ou poste)? Quais eram os seus dotes ou as suas principais características dentro do campo?
A minha posição como jogador foi sempre extremo, embora algumas vezes fizesse de base. As minhas virtudes como jogador eram a facilidade da velocidade em que empregava nos Contra-Ataques com bola ou sem ela e nos lançamentos em posição lateral e cantos, na rapidez do lançamento ou arranque rápido em drible, depois da finta de lançamento, outra virtude minha era driblar com a mão direita e mão esquerda com facilidade. 
 
Quem eram as suas referências tanto a nível nacional como internacional quando iniciou a prática da modalidade?
Quando me iniciei na modalidade, já foi um pouco tarde, tinha 17 anos e aos 20 anos já era internacional, por conseguinte muitos dos meus adversários eram os meus ídolos, como por exemplo: Avelino do Carmo (Atlético), Hermínio Barreto e Abílio Ascenço (Sporting), Bernardo Leite, Joaquim Carlos, José Alberto (Benfica), José Valente, Manuel Ferreira (Barreirense), Mário Mexia (Académica), Mário Barros (Porto), entre outros mais...
 
Quais foram os treinadores com quem trabalhou ao longo da sua carreira?
Os senhores Martiniano Domingos, Alfredo Carvalho, José Godinho, José Esteves, Teotónio Lima, Mário Lemos e João Coutinho, ao nível de clube e selecções.
 
Se pudesse eleger um deles como aquele que mais o marcou, quem seria? Porquê?
Todos eles para mim merecem distinção, todos me deram um pouco daquilo que fui e o que sou hoje, quer a nível desportista, profissional ou particular, por isso, estou muito agradecido a todos eles. 
 
Quantas vezes chegou a vestir a camisola da selecção nacional?
Vesti a camisola do meu país 11 vezes, tendo sido uma quais, como capitão, foi no jogo Portugal - Estados Unidos, no Porto nos Sub 20.
 
Foi cobiçado pelo Real Madrid e pelo Sporting Clube de Portugal. Porque se manteve fiel ao seu Barreirense?
Isso é um caso bastante complicado para esta geração actual de compreender, naquela altura a nossa personalidade não ultrapassava as ideias e ordens impostas pelos nossos pais, por conseguinte, nada feito, nem Madrid nem Lisboa! Só o Barreirense, até porque o meu pai era dirigente do clube, pertencia à comissão do Ginásio Sede. 
 
Qual foi o jogo mais marcante e qual o título mais importante da sua carreira enquanto jogador?
Os jogos mais marcantes naquela época eram os Barreirense-Académica, no Barreiro ou em Coimbra. Que grandes jogos! Para mim, felizmente, todos eram uma festa, acima de tudo via-se um basquetebol com alma, com garra! Acabavam sempre bem, quer se ganhasse ou se perdesse! Exemplo do convívio que ainda tenho com Mário Mexia, Carlos Portugal, Simões e Baganha, eram meus adversários nesses jogos, mas amizade essa ficou eternamente!
 
Qual foi o pior momento da sua carreira?
Pôr fim à minha carreira como jogador, tinha 31 anos.
 
Quais são as principais diferenças entre os tempos em que jogou e o basquetebol actual?
No meu tempo, os treinos eram menos intensivos, lembra-me que só treinávamos 2 a 3 vezes por semana e o trabalho físico era diferente, embora o trabalho da técnica individual era sempre importante.
 
Que conselhos daria aos jovens praticantes e aos treinadores que se lançam na nossa modalidade?
Aos jogadores, que estejam concentrados todo o tempo no treino, respeito pelo trabalho físico, que é fundamental, respeitar sempre dirigentes e treinadores, serem amigos dos colegas de equipa e dos adversários, respeitar os árbitros e o público. Nunca esquecer os estudos, que são um complemento importante da sua vida.
 
Aos treinadores, saber formar e saber competir com a dignidade do saber ganhar e perder. Ter paciência na parte do ensino, pois o tempo nos dará aquilo que nós pensamos em ensinar.
 
Embora tenha sido um brilhante jogador “com bola” e excelente na técnica de lançamento, é verdade que sempre incutiu a “Defesa”, nos seus atletas, como sendo a tarefa mais importante do jogo?

Sempre considerei como jogador e mais tarde como treinador, a parte defensiva como importante no jogo de basquetebol. Uma boa defesa, não só dificulta os adversários, como proporciona constantes contra-ataques, ou poder de bola para situação de organização de jogo.
 
Qual era o jogador mais difícil de enfrentar nesses tempos?
Nesses tempos, o jogador mais difícil era o Mário Mexia, mas o Bernardo Leite e o Abílio Ascenço e José Valente eram também jogadores com muito valor.
 
Fala-se no Barreiro de um jogo de outros tempos, em que o Zeca Macedo depois de passar a bola por debaixo das pernas de um adversário, parou e lhe entregou a bola. Pode contar-nos melhor esta situação?
Foi num jogo BARREIRENSE - D.CUF, em que ia em drible muito rápido pela lateral e um jogador da equipa adversária, se pôs a seguir o drible e fiquei entre ele e a linha lateral, vendo que ele tinha as pernas bem altas e abertas, passei com a bola entre as pernas e fui buscar a bola ao outro lado. Claro que essa situação não entrava dentro da minha formação de desportista, então agarrei na bola e entreguei-lhe em mão, pedindo-lhe ainda desculpa pelo sucedido! Não me arrependi, pelo contrário, fiquei orgulhoso por ter cumprido a minha missão de bom desportista!
 
O Planeta Basket desafia-o a escolher os melhores cinco de todos os tempos do basquetebol Português, respeitando as posições:
É difícil responder a essa questão, pois o basket como qualquer outra modalidade, progrediu muito em especial nos termos físicos, no entanto, darei um parecer sugestivo direito a várias opiniões: Abílio Ascenso, José Valente, Mário Mexia, Avelino do Carmo, Carlos Lisboa e não poderei esquecer Joaquim Carlos e José Alberto.
 
Como treinador quais foram as equipas que orientou e quais foram os melhores jogadores com que teve o prazer de trabalhar?
Treinei a Selecção Nacional Sub-20, que disputou o Europeu em Itália, treinei os seniores do F. C. Barreirense, campeões da 2ª Divisão e 5º Classificado no Nacional, Infantis do Barreirense campeões Nacionais e os Juniores do Barreirense finalistas do Nacional. Treinei equipas de formação do Luso e do Grupo Desportivo da CUF. Dos muitos jogadores que passaram por mim neste tempo, são de salientar o António Minhava e o Carlos Freire.
 
O que faz hoje em dia o Zeca Macedo, como é o quotidiano de um dos melhores jogadores de sempre do basquetebol português?
Assisto a jogos de Jovens e Seniores, participo em colóquios da modalidade e desporto em geral. Escrevo algumas crónicas, citando fundamentalmente sobre a importância que o desporto tem no futuro nos nossos jovens. Tento aconselhá-los a verem o desporto como um complemento na sua educação, não esquecendo os estudos que são a base da sua vida profissional.
 
Por fim, que mensagem gostaria de deixar aos fãs de basquetebol que diariamente visitam o Planeta Basket?
Que dentro dos seus clubes, tentem que a modalidade se afirme e se desenvolva como base na promoção da juventude. Nunca esquecer que os representantes da modalidade sejam bons desportistas e juntar a esta situação, a formação dos estudos para bem do seu futuro, pois este país precisa de jovens que apareçam com grande formação e dignidade, para serem futuros líderes do nosso país, para também podermos dizer que o nosso Portugal, está a ser uma nação de futuro.

 

 


 
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