O legado de Cremildo Pereira
 
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O legado de Cremildo Pereira

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O legado de Cremildo PereiraNos vários documentos a que tive acesso há uma certa unanimidade de quem introduziu o termo Minibasquete em Moçambique, então território português, foi Cremildo Pereira. Contudo esta informação não é isenta de polémica e contestação.

Nas minhas investigações li no blog Big Slam, que o Dr. Rui Batista afirma que quem introduziu o minibásquete em Moçambique foi a Mocidade Portuguesa.  “No que se refere á Mocidade Portuguesa (MP), esta organização era então a responsável pela "educação" dos jovens, segundo os valores "patrióticos" então estabelecidos e nesta perspectiva, as actividades desportivas escolares, em todos os escalões etários estavam sob a sua responsabilidade e orientação directas.” (1)

O facto de nessa época a responsabilidade do desporto escolar estar atribuído à Mocidade Portuguesa está na origem desta polémica, o que me levou a analisar atentamente os argumentos apresentados por ambas as partes em diversos artigos da autoria do Dr. Rui Batista e pelo Cremildo Pereira. Li atentamente a polémica instalada nos recortes de jornais moçambicanos da época. Salvo melhor julgamento, caso fosse juiz, e tivesse de decidir, ouvidas as duas partes, eu digo, que quem introduziu o conceito e o jogo do minibásquete em Portugal foi efetivamente Cremildo Pereira. Este meu julgamento foi secundado pelo Prof. Mirandela da Costa, que teve a amabilidade de numa longa conversa, me falar como eram organizados os torneios de minibásquete em Moçambique.

Contudo o legado do Cremildo Pereira, vai muito para além da mera introdução da palavra minibasquetebol, e atravessa todas as épocas em que estou a subdividir este meu contributo para a história do minibásquete em Portugal.

  • 1949 – 1964 - Antes do minibásquete…
  • 1964 – 1974 - Do surgimento do MB até abril de 74
  • 1974 – 1993 - Do surto revolucionário até à extinção da DGD
  • 1993 – 2000 - Minibásquete torna-se residual
  • 2000 – 2016 - O ressurgimento e criação de novas dinâmicas

A ligação de Cremildo Pereira ao basquetebol é feita através da arbitragem nos anos 40 do século passado. Nessa década realizou diversas palestras no intuito de melhorar a arbitragem, que era na maioria dos casos exercida por jogadores. É esse gosto e dedicação à arbitragem que o leva em 1964 a traduzir do espanhol as regras do minibásquete, introduzindo deste modo o conceito e o jogo na cidade da Beira através da Associação de Basquetebol de Manica e Sofala.

Em 1968 traduz do espanhol o hino do Minibásquete, criado pelos espanhóis, José Barbero (letra) e Daniel Montorio (música), e elabora um Guia do Monitor de Minibásquete.

A propósito do 1º Torneio de Minibásquete da cidade de Lisboa num artigo da autoria de Ernesto Ferreira da Silva, Cremildo Pereira clarifica a sua visão sobre o que deve ser o jogo de minibásquete.  “Dentro desta linha, começaremos por falar no nome do jogo. Achamos que coadjuvando o opinião de Cremildo Pereira – o jogo deve designar-se por  MINIBÁSQUETE e não Minibasquetebol. Porquê perguntarão. Responderei que a palavra Minibasquetebol, exprime a ideia de basquetebol em ponto pequeno. No entanto, o nosso desporto não é exatamente isso; é um jogo novo com um ideal completamente diferente.” (2)

De 1976 a 1985 exerce as funções de Presidente do Conselho de Arbitragem da ABL, mas sempre preocupado com o minibásquete envia para a Direcção Geral dos Desportos um Projecto do Manual de Minibásquete. Neste período também marca presença em dois grandes eventos do Minibásquete o Acampamento em Castelo Branco em 1979 e no Minicesto em 1981.

No período do esmorecimento do minibásquete 1993 – 2000 não consegui encontrar referências a ações de Cremildo Pereira. Pessoalmente só o conheci em 2001, numa homenagem que mais adiante falaremos, já depois da reativação do Comité Nacional de Minibásquete em março de 2000. Contudo logo fiquei encantado com a sua inteligência e lucidez. Numa carta que escreveu ao General Hugo dos Santos em 4 de junho de 2003 e num escrito que me fez chegar às mãos de 25 de maio de 2004, menos de um ano antes do seu falecimento, não deixam dúvidas da sua dedicação ao minibásquete até ao final da sua vida.

Em 2014 o Planeta Basket recolheu 50 depoimentos que foram publicados numa revista para comemorar o os 50 anos do Minibásquete em Portugal. Num desses depoimentos Henrique Vieira escreveu um belo texto dedicado a Cremildo Pereira sob o título: Um visionário.

Durante a sua longa vida, Cremildo Pereira foi alvo de muitas e merecidas homenagens, mas em notas biográficas escritas pelo próprio em 2002, afirma que “a homenagem que mais o sensibilizou foi a oferta de uma artística placa pelos basquetebolistas de Moçambique durante um almoço com cerca de 300 convivas na Figueira da Foz em junho de 2001, porque alguns eram muito jovens, quando partiram de Moçambique e muitos com quem nunca tinha falado. Isto foi uma manifestação sincera, que o calou profundamente.” (3)

O legado de Cremildo Pereira vai muito para além deste breve apontamento, mas há uma coisa que não há dúvidas não é possível falar da história do minibásquete sem evocar essa grande figura que foi Cremildo Pereira.

Cremildo Pereira e San Payo Araújo


(1) Gonçalves, Carlos Alberto – Em correspondência por email.
(2) Silva, Ernesto – Jornal do Sporting Clube de Portugal Nº 959 de 18 Junho de 1969
(3) Pereira, Cremildo – Notas Biográficas de 2002

 

 


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