Se é verdade que o inventor do basquetebol tudo fez para dotar o jogo das maiores virtudes, verdade seja dita que ao longo do trajeto do jogo que se tornou desporto e depois, espetáculo universal,
muitas “derrapagens” aconteceram nos seus cerca de 135 anos de vida. Outra coisa não seria de esperar de um desporto que está inserido na sociedade, dela recebe influências e, mesmo na sua margem de autonomia é capaz do melhor e do pior. Vamo-nos cingir apenas ao basquetebol no país que foi o seu berço.
- Os jogadores e os espetadores tiveram muitas vezes atitudes de verdadeiros arruaceiros. Para se protegerem, alguns árbitros, nos EUA, foram para o campo munidos de pistolas chegando a disparar para o ar;
- Os ambientes eram tão problemáticos, agressivos e perigosos que os campos eram rodeados de grades, ficando os jogadores com o nome de “Cagers” (enjaulados). E pelos vistos tanto os intervenientes diretos do jogo tiveram de se proteger dos espetadores como estes necessitaram também de proteção em relação aos jogadores. Naismith, que só faleceu em 1939, teve, portanto, “oportunidade” de conhecer algumas destas “misérias” envolvendo o seu querido jogo;
- Um outro aspeto desonroso que aconteceu durante bastantes vezes na história e que mesmo na atualidade parece voltar a acontecer é o fenómeno de suborno, de corrupção e das apostas ditas desportivas, envolvendo jogadores, árbitros, treinadores e dirigentes desportivos. Isso aconteceu ao longo da história do basquetebol. A partir de um certo momento, a corrupção com apostas no basquetebol profissional norte-americano diminuiu bastante dado que os jogadores não estavam dispostos a arriscar perderem contratos milionários para ganharem apenas alguns milhares de dólares;
- No fenómeno conhecido como “Point shaving”, os jogadores não jogavam simplesmente para perder. A “coisa” era mais refinada e apontava para o número de pontos de diferença, controlando a margem de pontos na vitória e na derrota. Um esquema que ficou célebre na história ocorreu em 1951, no basquetebol universitário, mas um esquema muito recente, datado do início deste ano, foi desmontado e envolvia muita gente;
- O fenómeno de corrupção atrás descrito aconteceu e acontece bastante no basquetebol universitário, até porque os jogadores nessa fase da sua vida não tiveram até há pouco tempo quaisquer rendimentos diretos da sua atividade. Alguns treinadores famosos não deixaram de ficar “chamuscados” com este fenómeno;
- A segregação racial que se estendeu até muito tarde no século XX no basquetebol, foi também uma triste realidade que refletia a segregação e o racismo estrutural da sociedade norte-americana, algo que ainda nos dias de hoje não foi socialmente superado. Se durante muito tempo as equipas não admitiam negros, quando passaram a integrá-los, não deixaram de existir ocorrências grotescas. Uma grande lenda dos Celtic’s, como foi Bill Russel, foi objeto de muitos insultos racistas;
- Na NBA houve fenómenos de violência entre os jogadores e de consumo de drogas que levaram os responsáveis pela organização a tomar medidas drásticas para as erradicar ou pelo menos menorizar. Infelizmente, ainda nos dias de hoje tivemos a oportunidade de ver isso a acontecer com um jogador;
- Estão também documentados atos de machismo, assédio e abuso e de homofobia.
Outras “misérias” poderíamos referir e sobre cada uma delas teria interesse em desenvolver em que consistiram. Neste escrito apenas apontamos algumas das que estão bem documentadas em notícias, reportagens, documentários e livros que se podem ler e ver com bastante interesse.









