Óscar Schmidt e o Panamericano de 1987
 
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Óscar Schmidt e o Panamericano de 1987

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Óscar Schmidt e o Panamericano de 1987“O segredo de um técnico de basquetebol é o que se poderia chamar de “segredo de polichinelo”. Acontece que só tenho um segredo: realizar um treino tão bom quanto possível.”
Ary Vidal

Aos sessenta e oito anos de vida deixa-nos uma das personalidades mais marcantes do basquetebol mundial: Óscar Schmidt.

A sua maior arma em campo, foi, como sabemos, o seu lançamento (ou arremesso, como os brasileiros lhe chamam) certeiro. Daí a alcunha de “Mão santa”.
Não vou aqui fazer nenhuma pequena biografia. Vou apenas recordar um momento maior da sua carreira: a conquista do campeonato Pan-Americano, em 1987, em Indianápolis, na final frente aos EUA.

Os pormenores dessa conquista merecem ser recordados, ainda que muito sumariamente. A equipa foi preparada e orientada pelo técnico brasileiro Ary Vidal. Essa gesta foi descrita e explicada num magnífico livro de Ary chamado “Basquetebol para vencedores. Teoria. Técnica. Tática.

Esse livro mostra como Ary cresceu no basquetebol e como chegou a formar a sua conceção de jogo e de treino. Por tudo isso o livro é extremamente interessante e importante. Convido à sua leitura. Aqui, no entanto, vou ater-me resumidamente à parte do livro que se debruça sobre a preparação e condução do processo de treino e competição no Pan-americano.

Óscar Schmidt e Marcel eram os dois “cestinhas” da equipa, com uma capacidade de lançamento de longa distância descomunal, exponenciada pelo treino específico realizado para o campeonato em causa. A equipa foi construída em torno deles. O ano de 1987, tinha a particularidade de estar próximo do ano em que os três pontos começaram a existir na FIA (1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles).

Os jogadores americanos não eram da NBA, onde já há muito tempo existia a linha dos 3 pontos a de 7,15 metros de distância do cesto. Esses jogadores americanos, penso que universitários na sua totalidade, estavam apenas habituados desde 1986/87 a usar uma linha de 3 pontos (circular) e ainda por cima apenas a 6,00 metros do cesto.

Ary montou uma verdadeira teia tática, baseada sobretudo no lançamento de três pontos, e treinou-a durante três meses até à exaustão, de forma extremamente inteligente. Dada o diferencial físico de estaturas e de porte físico em relação às seleções mais fortes com que se defrontaria, Ary teve de optar por armas diferentes e por uma preparação correspondente.

Óscar Schmidt foi, de facto, uma peça fundamental na vitória no coração da fera norte-americana que a deixou a sangrar no seu orgulho. Mas como todos sabemos, o basquetebol é um jogo coletivo e para que a vitória sorrisse ao Brasil, todos os elementos da equipa cumpriram com êxito as missões que lhe foram atribuídas pelo maestro Ary Vidal que também já faleceu.

Reitero o conselho: leiam o livro atrás referido, riquíssimo de pormenores interessantes e importantes para quem gosta de basquetebol.

Basquetebol para vencedores. Teoria. Técnica. Tática.

 

 


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