Num momento em que foram eleitos os novos corpos gerentes da Direção da Federação Portuguesa de Basquetebol e nomeados Diretores Técnicos, sinto necessidade de falar sobre a Associação Nacional de Treinadores de Basquetebol (ANTB).
A ANTB foi fundada logo após a Revolução do 25 de Abril de 1974. Foi a primeira associação de treinadores de basquetebol a ser criada em Portugal (e na Europa) e serviu, praticamente, de modelo a todas as outras associações de treinadores nacionais que foram criadas após esse momento. Os seus primeiros anos foram pujantes. A união dos treinadores era visível. A participação era enorme.
Os melhores treinadores assumiram a necessidade e o papel de liderança. E os resultados em termos de formação de treinadores, de produção de materiais (revistas, livros, clinic’s, etc), de planos de desenvolvimento da modalidade foram visíveis e a qualidade do basquetebol nacional, beneficiando também com a vinda de muitos jogadores e treinadores das antigas colónias, deu um pulo qualitativo.
À medida que o tempo foi passando, a ANTB, mesmo conseguindo manter-se, foi nitidamente esvaziando o seu fulgor inicial. O individualismo e a divisão começaram a aparecer. Os “eus” começaram a sobrepor-se aos “nós”. O cada vez maior acesso a literatura técnica fazia crer aos treinadores que, sozinhos, poderiam transformar-se em grandes peritos. Esqueciam a lição mais antiga dos homens esclarecidos: “um homem sozinho não é nada”.
A ANTB, foi definhando e chegou ao ponto de parar a sua ação. Esteve vários anos parada. Essa condição contribuiu, diretamente e indiretamente para uma menor valia do basquetebol nacional. Anos depois, um grupo de treinadores resolveu ressuscitar a associação. Nestes últimos anos parece-me que a ANTB tem necessidade de dar novamente um pulo de participação e de qualidade. E quem pode contribuir para isso, para a manter viva e, mais do que isso, com uma vitalidade que contribua para a qualificação do nosso basquetebol? Sem dúvida serão os treinadores, em união, liderados pelos nossos melhores e mais conscientes. Sem uma ANTB pujante, unida e ativa o basquetebol que temos não será tão forte quanto poderia ser.
É preciso que os treinadores portugueses compreendam isto. É fácil? Não, não é. Todos os processos que implicam coletivos são desestimulados pelos poderes vigentes ao mais alto nível com medo de que lhes fujam as rédeas do controlo da mediocridade vigente. E isto é realidade em todas as áreas da sociedade.
E tu, treinador que me estás a ler, és associado na ANTB? Participas nas suas atividades? Participas ativamente nas suas reuniões de órgãos sociais? Crias e manténs iniciativas locais? Escreves artigos para a Revista da ANTB? Envias ideias para a Direção da Associação e promoves iniciativas de apoio aos treinadores mais jovens, trazendo-os para o interior da ANTB? E a Direção atual da ANTB o que está a fazer para informar, cativar, promover o basquetebol e a iniciativa e participação dos seus sócios?
Quo vadis ANTB? O que fazemos por ela, treinadores?
P.S. Visitem o site da ANTB. Além das várias informações que contém como os membros dos seus corpos gerentes, pode lá tornar-se sócio, descarregar gratuitamente os pdf das revistas O Treinador do número 1 ao número 59, visionar vários vídeos muito interessantes de clinic’s da ANTB e comprar alguns livros de qualidade sobre a nossa modalidade.









