Da minha vivência no mundo do basquetebol, há pessoas que me marcaram. E que estarão sempre comigo. Não só eu, como também o meu pai, tive o privilégio de cultivar a amizade do Professor Francisco Costa.
Creio tê-lo conhecido nos tempos do Núcleo Associativo de Minibasquete do Porto, onde o meu pai era dirigente e eu um simples miúdo que aspirava a ser monitor dos mais novos - um “amigo” que arbitrava uns jogos - e onde me cruzei com o Prof. Chico Costa, como carinhosamente era conhecido. Foram vários os momentos em que emprestou a sua colaboração nas diferentes ações do núcleo.
Mais tarde, reencontrei-o na sua colaboração com a Comissão Regional de Juízes de Basquetebol do Porto, onde, muitas vezes, nos "ensinava" a linguagem técnica do jogo e a forma de evoluirmos enquanto juízes. Nessa época, era treinador do CDUP, e alguns dos seus pupilos colaboravam também na arbitragem (Eng.º Ribeiro da Silva, Eng.º José de Sousa, Eng.º Américo de Sousa, Prof. Mário Sousa, Prof. Filinto Carvalho), o que reforçava ainda mais essa ligação.
Recordo também a sua passagem pelo FC Porto, altura em que o meu pai integrava a secção de basquetebol, bem como alguns jogos-treino em que participei. Desse tempo guardo, em especial, a memória de uma noite no Pavilhão Dr. Américo de Sá, que juntou um jogo de futebol de salão e outro de basquetebol, onde a equipa de futebol profissional do clube defrontou os basquetebolistas. Ficaram para a história os resultados de uma noite divertida, de ameno convívio, e a descoberta de que António Oliveira era um excelente guarda-redes e que Fernando Gomes, o "Bibota", afinal, tinha jeito para a modalidade — tudo isto perante o ar divertido e bem-humorado do Prof. F. Costa.
Muitas foram também as noites em que o Convívio se tornava o centro da tertúlia basquetebolista, onde, entre dois dedos de conversa, uma cerveja e um prego, se falava da modalidade, se ouviam histórias e onde o Professor Chico Costa, sempre bem-disposto, "metia a sua colherada".
Acabou, aliás, por ser “entronizado” num grupo muito peculiar de gente do basquete - os “Desordeiros” - do qual hoje resta apenas um membro vivo. Basquetebol, gastronomia e boa disposição eram as marcas deste grupo sempre pronto a contribuir. Entre muitos momentos, destaco dois: as 24 Horas de Basquetebol e, no cinquentenário da ABP, as 50 Horas.
Enquanto árbitro, muitas foram as vezes que me cruzei com o Prof. F. Costa, quer enquanto treinador do CDUP, FC Porto e Ovarense - e sempre pautámos o nosso relacionamento por respeito e cordialidade, onde eventuais divergências eram rapidamente sanadas.
Mais tarde, enquanto dirigente da Associação de Basquetebol do Porto, uma vez mais o seu espírito de colaboração e cooperação com a instituição foi marcante, sempre com grande disponibilidade. No fundo, a modalidade que tanto amávamos unia-nos.
Numa das direções que integrei, decidimos nomear alguns dos prémios anuais que distinguiam os agentes da modalidade por ocasião das Galas. Por unanimidade, escolhemos duas personalidades marcantes para distinguir o Treinador do Ano de Formação e o Treinador do Ano de Competição, respetivamente o Prof. Armelindo Bentes e o Professor José Francisco Costa, que sempre nos honrava com a sua presença - momentos de confraternização e celebração da modalidade.
Privar com alguém especial é, de facto, um verdadeiro privilégio. Ter essa oportunidade é uma das experiências mais enriquecedoras da vida, pois vai muito além de uma simples convivência social. Significa aceder à intimidade, aos pensamentos e à verdadeira essência de uma pessoa que admiramos — partilhar tempo, conversas e vivências com alguém que acrescenta valor, inspiração e carinho à nossa vida.
Pessoas que marcam a nossa existência deixam impressões profundas na alma. Ensinam lições valiosas, criam ligações intensas e, muitas vezes, transformam a nossa forma de ver o mundo, independentemente do tempo que permanecem ao nosso lado. Podem ser amigos, familiares ou até conhecidos ocasionais — mas há algo nas suas ações, nas suas palavras ou nos momentos partilhados que permanece connosco e ajuda a moldar quem somos.

A vida é um fluxo constante de encontros e desencontros. Compreender por que razão, alguém nos marcou é também reconhecer aquilo que realmente valorizamos - e, acima de tudo, o que queremos levar connosco e refletir nas nossas próprias atitudes.
Porque, no fim, são essas pessoas e essas memórias que dão verdadeiro sentido ao nosso caminho.
Assim, e com profundo sentido de reconhecimento, presto a minha sincera homenagem ao Professor José Francisco Costa, pelo legado humano e desportivo que deixou e pela marca indelével que imprimiu em todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele privar.









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