O impacto das alterações às regras - Parte 2
 
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O impacto das alterações às regras - Parte 2

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O impacto das alterações às regras - Parte 2Continuamos com a tradução do texto do treinador francês Émile Frézot, de 1952, agora debruçando-se sobre a introdução da regra que permitiu aos treinadores pararem o jogo e pedirem descontos de tempo.

“O novo regulamento traz-nos, no entanto, uma mudança de grande importância que deverá provocar uma melhoria na qualidade do nosso basquetebol: é o papel atribuído ao treinador/manager.

O manager pode tornar-se verdadeiramente o jogador de xadrez que observa, calcula e joga verdadeiramente a sua partida. Ele pode agora, em cada tempo morto, falar com os seus jogadores e isto é capital. Até agora, as suas instruções eram mal transmitidas pelo jogador que ele fazia entrar. Agora ele pode ele próprio explicar à sua equipa, durante a ação, a tática adversária e os seus pontos fracos, e as mudanças táticas a operar para usar essas fraquezas.

As equipas bem treinadas nas diferentes táticas a usar para fazer face às diferentes defesas e diferentes ataques vão poder ser verdadeiramente dirigidas no próprio minuto, por um manager clarividente, e isto no calor da ação.

O trabalho do manager torna-se apaixonante, pois será necessário, em situações muitas vezes difíceis, ver, compreender, decidir e intervir rapidamente para explicar aos jogadores a ação imediata a organizar.

Com uma equipa preparada, este trabalho será verdadeiramente muito interessante para o manager que viverá e jogará a sua partida com a sua equipa, enquanto, até esta temporada, ele a vivia ao lado, na linha lateral, e só podia lamentar-se quando as suas ordens não eram executadas.

É muito provável que esta maior importância dada ao manager (papel que sempre lhe foi reconhecido nos EUA) vá provocar um progresso muito sensível na variedade e na qualidade das táticas das nossas equipas.

Certas formações francesas, mesmo entre as melhores, que não tenham um manager verdadeiramente competente para as dirigir ou sejam geridas pelo seu capitão, vão encontrar-se em desvantagem. Expor-se-ão a graves contratempos, pois um capitão, por mais experiente que seja, não pode, estando ele próprio no local do jogo, ver e compreender tudo tão bem e tão depressa como aquele que se encontra fora da ação e só tem de observar.

Eis o essencial das reflexões que as novas regras nos inspiraram. As próximas temporadas nos informarão melhor sobre a evolução do basquetebol jogado com este novo regulamento de 1952.”

Recentemente, o excelente treinador espanhol Pedro Martinez, num 5.º jogo crucial contra o PAO, não terá solicitado nenhum desconto de tempo. Ele lá terá tido as suas razões. E vocês, meus caros treinadores, há quantos jogos não fazem uma coisa dessas? Em que circunstâncias não pediriam durante todo o jogo um desconto de tempo? Imaginam o que seria o nosso jogo se, como acontecia antes da década de 50, na Europa, não pudessem pedir descontos de tempo?

 

 


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